Aumento
Guerra no Oriente Médio pode refletir no custo de alimentos e exportações em MS
Crise energética pode elevar custos de logística e insumos, impactando diretamente o bolso dos consumidores
Mato Grosso do Sul pode sentir diretamente na mesa e na arrecadação estadual as consequências da tensão que atinge o Oriente Médio. O preço dos alimentos pode ser afetado por conta do encarecimento do petróleo que tende a afetar também os custos logísticos, ou seja, as despesas com o transporte da produção.
Aumento no preço do petróleo devido à guerra no Oriente Médio pode impactar a mesa dos sul-mato-grossenses. Especialistas preveem alta de pelo menos 10% no preço dos alimentos devido ao encarecimento dos custos logísticos, principalmente no transporte rodoviário, que representa 80% do transporte estadual. A dependência de Mato Grosso do Sul na importação de alimentos, como frutas e hortaliças, agrava a situação. O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo, preocupa o mercado. O aumento no preço do barril já chega a 21% em junho. A alta afeta toda a cadeia produtiva, desde a produção agrícola, com o aumento do custo dos fertilizantes importados da Rússia, Ucrânia, Irã e Bielorrússia, até o consumidor final, que paga mais caro por alimentos e gás. A dependência do petróleo e a dificuldade da Petrobras em desvincular o preço interno do internacional agravam o cenário.
Doutor em Economia, Michel Constantino explica que a dependência do transporte rodoviário e a importação de grande parte dos produtos consumidos no Estado tornam o cenário ainda mais vulnerável. O especialista explica que aproximadamente 70% das frutas e hortaliças consumidas em Mato Grosso do Sul são importadas de outros Estados, como São Paulo, e cerca de 80% do transporte estadual é rodoviário, portanto a elevação do preço é quase imediata.
Este é o mesmo ponto de vista do consultor empresarial, Aldo Barrigosse, que acredita na elevação dos preços. A perspectiva, segundo o consultor, por conta dos custos logísticos e importação de alimentos, é que os preços internos subam ao menos 10%.
Cadeia produtiva – O preço do petróleo já acumula aumento de 21% em junho. Com a crise entre Israel e Irã, o temor do mercado é que o Irã feche o estreito de Ormuz, trecho por onde são escoadas 20% da produção mundial de petróleo.O preço do barril de petróleo, impulsionado pela restrição da oferta em um mercado global que já está abalado pela incerteza, tem um efeito em cadeia.
“O processo produtivo usa petróleo, o custo do petróleo aumenta; o custo de transporte aumenta, o custo de produção aumenta, gera inflação”, explica Michel Constantino.
Consultor empresarial, Aldo Barrigosse acrescenta que toda a cadeia produtiva é interligada, pois um setor depende do outro, impactando desde restaurantes, que veem o preço do gás e dos alimentos subirem, até transportadoras, que enfrentam maiores custos com combustível. Para ele, a situação é bem complexa, pois não há expectativa para que este conflito se resolva rapidamente.
Apesar das tentativas da Petrobras de desvincular o preço do petróleo nacional do internacional, a paridade segue influenciando o mercado interno, pois o país não produz quantidade suficiente para atender a demanda nacional.
Fertilizantes – A questão dos fertilizantes é outro aspecto que deve ser impactado rapidamente. Michel Constantino explica que os insumos essenciais para a produção agrícola, como a ureia, vêm de países em conflito, 80% da Rússia e Ucrânia, e outros 20% do Irã e Bielorrússia. O especialista aponta que o Brasil também produz alguma coisa, mas o custo da produção nacional é muito alto, o que encarece o produto. Por isso, fica mais viável a importação do insumo para os fertilizantes.
Correio do Estado
