Homicídio
Morto a tiros por Alcides Bernal era fiscal tributário e tinha 61 anos
Os disparos atingiram a região da costela, transfixando, e a dorsal.
Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos, morto a tiros pelo ex-prefeito Alcides Jesus Peralta Bernal, de 60 anos, na tarde desta terça-feira, dia 24 de março, era servidor público e atuava como fiscal tributário estadual, em Mato Grosso do Sul.
Com cargo de fiscal tributário na Sefaz (Secretaria de Estado de Fazenda), Mazzini recebia pouco mais de R$ 59 mil mensalmente, conforme o Portal da Transparência. Ele estava com registro cancelado na OAB/MS (Ordem dos Advogados do Brasil).
Segundo apurado pelo site Midiamax, no ano de 2007, a vítima já atuava na Secretaria de Fazenda.
Morte
O crime aconteceu em uma casa que pertence a Bernal — no entanto, estava leiloada. Assim, durante a tarde, Roberto teria ido até lá, na presença de um chaveiro, a fim de tomar posse do imóvel, mas foi alvejado por ao menos dois tiros.
O Corpo de Bombeiros foi acionado por volta das 14 horas; eles realizaram, por cerca de 25 minutos, manobras de reanimação, mas o servidor não resistiu e morreu. Os disparos atingiram a região da costela, transfixando, e a dorsal.
Após o crime, o ex-prefeito se entregou na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Centro. Já o chaveiro, que teria presenciado o assassinato, foi encaminhado para o Cepol (Centro Integrado de Polícia Especializada).
Bernal é jornalista, radialista e advogado. Em 2004, foi eleito vereador em Campo Grande e presidiu a Comissão Permanente de Transporte e Trânsito. Em 2008, foi reeleito e passou a comandar a Comissão Permanente de Defesa do Consumidor. Já em 2010, foi eleito deputado estadual.
Em 2012, foi eleito prefeito e permaneceu no cargo até 2014, quando teve o mandato cassado. Na época, era filiado ao Partido Progressistas (PP).
Dos 29 vereadores, 23 votaram a favor da cassação por irregularidades em contratos emergenciais. Com a decisão, ele perdeu o mandato, e o vice-prefeito, Gilmar Olarte, assumiu a prefeitura.
A denúncia foi apresentada por dois empresários à Câmara Municipal em 30 de setembro de 2013. Eles apontaram contratações emergenciais sem justificativa. A denúncia foi aceita, e uma comissão processante foi criada para investigar o caso.
No processo, Bernal afirmou que não havia provas de irregularidades. Durante a votação, usou a tribuna para se defender e disse que agiu para proteger o interesse público.
Em 2015, voltou ao cargo por decisão do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). Por dois votos a um, os desembargadores determinaram o retorno em agosto daquele ano, um ano e cinco meses após a cassação. Ele permaneceu até o fim do mandato, em 2016.
Após a decisão, afirmou que “a Justiça pode tardar, mas não falha”, em entrevista ao g1.
Ele concorreu à reeleição em 2016, mas não chegou ao segundo turno, ficando de fora por 2.630 votos.
Despejo de fazenda
Em 2025, a Justiça de Mato Grosso do Sul determinou o despejo de Alcides Bernal de uma fazenda em Sidrolândia. A decisão também estabeleceu a reintegração de posse ao proprietário por falta de pagamento do arrendamento.
g1/Dourados News
